O retorno das feiras livres: dados de 12 municípios
Cidades médias do Sudeste reativaram feiras no último triênio.
Em doze municípios médios do Sudeste brasileiro, o número de feiras livres cresceu 31% entre 2023 e 2025. Não é tendência isolada — é dado. Levantamento da reportagem, com prefeituras e associações de feirantes.
O levantamento cobre cidades entre 80 mil e 400 mil habitantes, em São Paulo, Minas, Rio e Espírito Santo. Em todas, o número de feiras aumentou. Em sete, aumentou acima de 25%.
A leitura comum é a de que se trata de moda gastronômica. A leitura dos dados é outra: 72% das novas feiras são de hortifruti de produtor local, não de comida pronta.
Cláudia Belmiro visitou quatro dessas feiras entre abril e maio. O perfil é parecido: produtor rural de até 80 km da cidade, sem intermediário, preço competitivo com supermercado.
Por que agora? Três fatores aparecem nas entrevistas. Primeiro, custos de combustível que encareceram o transporte para o atacado. Segundo, canal digital — produtor avisa pelo WhatsApp o que leva.
Terceiro, e menos óbvio: a geração que voltou ao campo. Filhos de agricultores que saíram para a cidade na década passada estão voltando, com formação técnica e mentalidade de mercado.
Há risco de leitura idílica. Parte das novas feiras opera em zona cinzenta de alvará. Quando a fiscalização aperta, somem. A informalidade é vantagem e fragilidade.
Para a prefeitura, a feira traz movimento e imposto indireto (comércio do entorno). Para o produtor, margem maior que o atacado. Para o consumidor, preço e rastreabilidade.
Quando os três lados ganham, o dado se sustenta. A questão é se a informalidade permitirá que cresça sem virar problema. A reportagem volta ao tema no segundo semestre.